08 fevereiro 2017

Um Limite Entre Nós (Denzel Washington; 2016) / Estrelas Além do Tempo (Theodore Melfi; 2016)

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Os indicados ao Oscar 2017 já saíram e em resumo, a Academia conseguiu escolher bem os indicados, mas ainda tenho minhas ressalvas quanto à alguns que ficaram de fora (#JusticeForAmyAdams) e alguns que ficaram dentro de quase tudo.

Sejam bem-vindos ao Blog Catalisador e hoje vamos iniciar uma leva de posts comentando alguns dos filmes indicados ao Oscar (e alguns que deveriam ter sido indicados, mas que a Academia resolveu deixar de lado por motivos que nem o Oráculo de Delfos saberia dizer). Para isso, vamos começar falando sobre os filmes Um Limite Entre Nós (Fences, 2016) e Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures, 2016).
Resenha:

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Baseado na aclamada e premiada peça teatral homônima, um jogador de beisebol aposentado, que sonhava em se tornar um grande jogador durante sua infância, agora trabalha como coletor de lixo para sobreviver. Ele terá de navegar pelas complicadas águas de seu relacionamento com a esposa, o filho e os amigos.
O filme protagonizado por Denzel Washington e Viola Davis nada mais é do que uma descrição seca e direta das relações familiares dos negros nos subúrbios nova-iorquinos dos anos 50. Nele, temos como personagens centrais um homem que trabalha como coletor de lixo e uma dona de casa.

Toda a história gira em torno do personagem de Denzel, Troy Maxson. Troy é um homem duro com sua família, decorrente das inúmeras coisas que ele já passou em sua vida (tanto em casa, quanto na rua), mas bastante amoro para com sua esposa Rose (Viola Davis), nunca deixando de dizer o que a ama e o quanto ela é importante na vida dele. Mesmo assim, não mantém uma relação muito afetuosa com seu filho Cory (Jovan Adepo). Essa relação, apesar de ficcional e se passar em uma década longe, é atemporal.

Derivado de uma peça de teatro (também protagonizada por Denzel Washington), o filme mantém a mesma essência dramática: vários diálogos e poucos cenários. Os diálogos no filme podem parecer extensos e até um pouco cansativos, mas é por meio deles que sabemos tudo que os personagens pensam e sentem, o passado deles e suas ações futuras.
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Não há introspecção e os personagens parecem estar sempre sentindo muito: ou eles estão muito felizes ou estão muito tristes/decepcionados com alguma coisa.

Rose é uma mulher que deu tudo que pode para seu marido e, após descobrir que este lhe foi infiel, desaba, nos presenteando com uma cena impactante e forte, extremamente carregada de drama.

Não há cenas longas em cenários que não sejam a casa do casal, justamente para manter o clima familiar do longa. As cercas do nome também reforçam essa ideia: manter o que importa dentro, junto, a qualquer custo.

O filme é quase uma peça cinematografada, o fim dele que o diga!

Apesar de ser um filme muito bem escrito e abordando um tema muito importante, o filme não conseguiu me cativar depois de pouco mais da metade dele, onde os acontecimentos me pareceram muito apressados.

CLASSIFICAÇÃO PARA O FILME: 3 estrelas

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A história é centrada em Katherine Johnson, uma brilhante matemática afroamericana que, ao lado das colegas Dorothy Vaughn e Mary Jackson, foi peça fundamental numa das maiores operações da história dos Estados Unidos: o lançamento do astronauta John Glenn para a órbita da Terra e seu retorno em segurança. Junto, o trio ultrapassou todos os limites de gênero, raça e profissionais para embarcar e serem muito bem-sucedidas nessa missão pioneira.
Em época de inúmeras manifestações sobre feminismo e ativismo negro, Estrelas Além do Tempo é o filme ideal para mostrar o poder da mulher contra uma sociedade, numa época dominada por homens e preconceito.

Ambientada numa Nova York no começo dos anos 60, a história vai mostrar as dificuldades sofridas por três mulheres negras trabalhando para a NASA, tentando se sobressaírem e evoluírem num ambiente dominado por leis segregacionistas e onde uma mulher deve sempre andar bonita, bem vestida e de cabeça baixa.

Taraji P. Henson interpreta Katherine, uma mulher incrivelmente habilidosa com números que é remanejada para o setor de cálculos do programa espacial. Lá, ela é a única mulher negra num ambiente cheio de homens brancos e presunçosos, que a olham torto e duvidam de sua capacidade, até ela conseguir resolver uma fórmula que nenhum deles tinham conseguido.

O filme ainda mostra os desafios de Mary Jackson (Janelle Monáe) ao ser remanejada para o setor de engenharia, onde, logo em seguida, descobre que terá de ter aulas numa escola para brancos. A personagem de Janelle é incrivelmente divertida, forte e a cantora entrega uma atuação de fazer os olhos marejarem com a evolução.

Dorothy Vaughan (Octavia Spencer) é a mais velha das três e tenta a todo custo conseguir o cargo de supervisora das computadoras negras, chegando a passar por cima dos seus superiores.

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Mostrando as dificuldades reais que essas mulheres passaram diariamente numa época onde haviam bebedouros públicos específicos para brancos e para negros, o diretor Theodore Melfi passa a mensagem: numa sociedade onde te dizem para baixar a cabeça, ande com ela erguida, e quando falar, grite.

Além de mostrar a vida pessoal dessas mulheres, também faz um resumo da sociedade americana da época e nos mostra um pouco da história da famosa corrida espacial, tão importante nos livros de História e, consequentemente, no decorrer das décadas.

Com uma trilha sonora envolvente, Estrelas Além do Tempo encanta, emociona e bate dentro da alma de qualquer espectador, dialogando diretamente com o atual momento histórico.

CLASSIFICAÇÃO PARA O FILME: 5 estrelas

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Você já assistiu alguns desses filmes? O que você achou das indicações do Oscar 2017? Não deixe de comentar e dar sua opinião.

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